Ignorante é aquele que ignora um fato. Não é feio ser ignorante, pois ninguém tem condições de conhecer todos os fatos da vida.
Se o ignorante não se mete no que não sabe (tipo eu num papo sobre a moda e as tendências dos estilitas modernos de Botswana, por exemplo), tudo bem, nada mais normal e tranquilo.
Já quando o ignorante opina sobre o fato que ignora, ou fato que deveria conhecer para estar fundamentado no assunto em que comenta, é feio. É triste... é ignorância no sentido pejorativo.
Por exemplo: hoje, esse é o ignorante que critica a redução de impostos para veículos com o argumento de que o aumento de carros prejudica a mobilidade social e vai "contra" a onda moderno-ecológica de se privilegiar o transporte público.
É o ignorante bem intencionado, claro... também eu sou a favor da onda de valorização do transporte público e tal.
Mas o ignorante podia ir atrás dos números da indústria e das razões por trás da questão, para ser então um conhecedor... e aí sim opinar propriamente.
Entenda, meu amigo ignorante, que as montadoras estão com estoques imensos de veículos encalhados, números somente comparáveis, no país, ao período logo após a crise de 2008. Se não houvesse a redução do imposto (e, consequentemente, do preço dos carros encalhado em estoque), o prejuízo para a sociedade com redução de postos de trabalho seria imenso.
O país produziu, fez a máquina girar, as montadoras botaram o produto no mercado mas o consumo não deu conta. Resultado: capital parado, investimentos limitados, risco de desemprego, redução de arrecadação.
A redução dos juros é temporária, vige somente até agosto, e foi pensada exata e justamente para promover o desencalhe do estoque e retornar o mundo ao seu cotidiano normal... não vai favorecer o caos no trânsito indefinidamente, é um mal necessário - e temporário - cujo objetivo maior não tem nada a ver com impedir o avanço da onda ecológica, tem a ver somente com a necessidade de se equilibrar um setor importante para o país, que emprega alguns milhões de cidadãos brasileiros, mas que padece de uma dificuldade momentânea incomum: o excesso de produtividade sem o correspondente giro de capital provido, usualmente, pelo consumo regular.
Perdoem-me os bandeados para a onda ecológica que "ignoram" o conteúdo integral dos motivos que levam a decisões governamentais... o "bonitinho" pra ecologista, slacktivista, rebelde de butique e de rede social, nem sempre é o melhor (ou o necessário) para a melhoria de um país.
Mas vocês estão perdoados, podem continuar com sua gana de opinar, de mostrar pros parentes do facebook que vocês são tooooodos preocupados com o mundo. O ignorante bem intencionado é também um mal necessário, assim como o "mal" causado por essa redução de impostos que veio ontem (!), mas que vocês compartilharam e criticaram porque estavam na onda da galera...